Sua biblioteca continha a Bíblia, livros de canto, 50 volumes de Teologia e obras de Lutero. Em todo o perfil de Bach desponta o traço da sua grande religiosidade. Era algo espontâneo. O assunto lhe interessava. O SDG (Soli Deo Gloria) está em muitas de suas obras, e uma dedicatória honrando a Deus na capa da obra mais importante para o ensino de órgão - o Orgelbüchlein - que ele modestamente intitula "Pequeno livro do Órgão". Tinha uma cultura teológica consistente e formulou teologia em tons, sobretudo nos corais do livro mencionado e cantatas. Ele usou toda a sua alma de pensador místico com simbologia e numerologia numa inusitada linguagem, e fez os alunos se depararem, já de início, com todo o tipo de dificuldade no instrumento, pois pensava que assim era o melhor .
E o Bach executante? Todos gostariam de conhecer sua técnica de intérprete. Os órgãos que ele tocou desapareceram, como muitos de seus manuscritos. São raras suas próprias indicações, mas certo é que sua virtuosidade teve admiração da Alemanha inteira, onde, após o episódio com o francês Marchand, tomou rumos de herói nacional, o que dividiu com Lutero e mais tarde com um terceiro vulto que foi Kant. De sua terra ele nem precisou sair e nem cursar universidade para chegar ao reconhecimento geral. Sabemos que a velocidade de seus pés era tamanha que pareciam ter asas quando voavam na pedaleira, conservando contudo bastante imobilidade do corpo, mesmo quando realizando cruzamentos, saltos de mãos e pés, enfim, sem grandes movimentos vivos corporais.